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A Solução

Tenho sido muito confrontado com a seguinte questão: Mas então como se resolve o problema dos domínios que serão agora branqueados com o novo sistema?
Para um problema complexo, nada como um solução radical.

  1. Revogar todos os direitos previamente adquiridos em todos os domínios .pt
  2. Criar um período Sunrise em que todos os interessados possam requerer a posse de domínios. Durante esse período e para sites com tráfego ou subdomínios, continuar a fazer o reencaminhamento. Isto é, manter os DNS inalterados, apesar de mudarem os nomes de contacto e de proprietário.
  3. Distinguir casos em que nitidamente se está a querer tirar partido do valor intrínseco de um domínio, de casos em que se criou um projecto para o domínio. No primeiro caso estão incluídos domínios que nem resolvem (sem site), domínios parqueados e até mesmo domínios em MFA sites. É que os donos destes domínios investiram no valor intrínseco de um domínio, pelo qual tentarão mais tarde mais-valias, e não no valor do domínio como locar de endereçamento. Nesse caso, estão a tirar partido de uma regalia que legalmente não possuem, de acordo com os regulamentos que estavam em vigor quando registaram o domínio, pelo que o direito da sua posse deverá ser revogado.
    No caso de existir no domínio um projecto sustentável, aos seus donos será atribuído o direito de propriedade plena e total comercialização (incluindo projectos em .com.pt). O website e o domínio tornar-se-iam finalmente, num todo.
  4. Distinguir finalmente, situações claras em que, apesar de se tratar de nomes genéricos e mesmo que não exista nenhum website desenvolvido, se torna óbvio o direito ao domínio. Domínios como “publico” (jornal - marca), “financas” (estado), “farmácias” (associação nacional de farmácias). Tornar-se-ia deste modo a Internet em Portugal num processo de navegação intuitivamente natural, onde se chega, através de um determinado endereço ao sítio que a maior parte das pessoas esperaria encontrar nesse mesmo endereço, inclusive para as pessoas que o façam pela primeira vez. Isto é, quem escreve “financas.pt” espera encontrar o site das finanças e não “mulheres sexy no chat”!

Alguns podem ainda dizer que não estou a ser justo porque os que criaram sites nesses domínios “ilegais” também não tinham esse direito.

Talvez tenham razão, mas eu estou a atentar encontrar uma solução de meio termo e que obrigará os 3 ou 4 abusadores portugueses a, ou investirem algum dinheiro e desenvolverem sites em todos os domínios que compraram ou a deixar cair alguns e dar oportunidade a outros de o fazerem.

Também pretendo defender os direitos das pessoas que já usam os serviços prestados esses domínios tendo neles emails, dados, fóruns, todos, enfim todo o género de conteúdos.

No caso do online.pt, por exemplo, a FCCN não esteve com meias medidas e não acautelou a situação de milhares de webmasters que estavam a usar os subdomínio. De uma assentada, deve ter reduzido a Internet lusófona em 5 por cento em apenas dois segundos.
Acabou por criar mais uma situação para ser explorada por oportunistas. Pior a emenda que o soneto. Foi apenas uma mudança de oportunista.

Welcome to Financas.pt … Mulheres sexy no chat!?

Tendo o IVA para entregar, claramente afligido, um amigo perguntava-me: vê lá o que se passa com o site das finanças!? Ou será que tenho um vírus no meu computador. A sua preocupação era nitidamente legítima. Ao colocar financas.pt no barra de endereços, eis o que aparece:

Welcome to Financas.pt … Mulheres sexy no chat!?

Pensei: está-se mesmo a ver! Mais outro belo domínio, registado através de uma marca falsa. Verifiquei o whois e encontro:

Financas Services - 1581 Route 202 Pomona NY 10970 US, com o enderenço de email: info@financasservices.com

Pensei: será que existe mesmo uma empresa com este nome e registo de marca a nível Europeu?! Para a FCNN, parece que os dados entregues foram o suficiente para aceitar o domínio como válido. Não deram, nem mais um passo. Bastava tão somente, só mais um passo, FCNN, só mais um, e o evidente saltaria à vista. Bastava verificar a homepage da empresa “financas services”, isto é www.financasservices.com ou procurar ++“financas services” no Google.

Pois é, o resultado da procura no Google é ZERO, e a homepage da empresa e é uma página parqueada, por “coincidência” registada no mesmo dia do registo do finanças.pt! Está-se mesmo a ver, não é?

Pois. O verdadeiro dono do domínio chama-se John Hartman, é um domainer especulador e dono da empresa 800-Discount Club, Inc.

Eis alguns dos domínios deste senhor: http://www.domains4less.com e onde o financas.pt irá parar mais cedo ou mais tarde, à parte dos domínios financeiros.

Por amor de Deus FCCN, que mais é preciso para mudarem de atitude?

Vê ai a liberalização. Se este senhor passa essa barreira quem lhe irá tirar o domínio ou domínios depois?

P.S: Também descobri que a morada em Pomona é uma fachada para, pelo menos 200 domínios e fica por cima de um excelente restaurante chinês, chamado Pomona Oriental Incorporated, que por sinal, parece não ser nada mau.

P.S.S: O Archive.org deu uma ajuda preciosa pois forneceu a ligação que faltava entre a empresa e a morada de fachada.

P.S.S.S: O verdadeiro domínio das finanças é www.e-financas.gov.pt

Feedback

O feedback tem sido fantástico nestes últimos dias. Desde a SIC ao jornal Público, tenho sido contactado por alguns jornalistas que, ou estão a preparar uma reportagem sobre os domínios em Portugal, ou agendaram o tema para um futuro próximo e estão agora muito mais atentos ao tema! Sem dúvida que o Expresso e o Paulo Querido ajudaram bastante.

Alertar é a finalidade única desde projecto, pelo que fico bastante satisfeito com estas evoluções. Há que ser optimista. Não é Paulo?

A propósito, aproveito para saudar a visita da FCCN. Segundo diz o log:
demophon.corp.fccn.pt
damocles.corp.fccn.pt
erida.corp.fccn.pt

Hum, a quem pertencerão estas máquinas?

Também já me perguntaram se havia alguma questão em particular que gostasse de colocar a Pedro Veiga. (um passarinho contou-me que é capaz de sair por aí uma entrevista dentro em breve…) Não é preciso pensar muito, cá vai a questão:

Tendo a FCCN deparado com o primeiro caso de “Chico Espertisse ” em que alguém usou o pedido de marca que obviamente ia ser recusado ou o nome de uma empresa que obviamente foi construído tendo o domínio em mente, o que fez?

Para tornar a coisa mais apelativa, permitam-me colocar a questão nas mãos do responsável da altura (que muito provavelmente, não foi Pedro Veiga) e aventar três opções de resposta:

1 Assobiou para o lado e pensou “que se lixe”, ganho o mesmo no fim do mês!

2 Pensou “É lá, isto é giro! Vou mas é não contar a ninguém e aproveitar para fazer o mesmo”!

3 Aceitou e validou o registo, pois cumpria de facto todas as regras, mas aproveitou para tomar as medidas necessárias e alterar estes buracos nos regulamentos para que não voltasse a acontecer o mesmo.

E não me venham com argumentos de que não se percebiam os truques, porque saltam à vista de qualquer um ou que os responsáveis não sabiam destes casos; há 10 anos que têm vindo a ser alertados.

P.S: Não me digam que existe uma quarta hipótese?!

JoséSócrates.com na coluna de opinião de Paulo Querido no Expresso

Paulo Querido, conhecido e famoso jornalista, bloguer e empreendedor da nossa praça, dedica a sua mais recente coluna de opinião no Expresso à liberalização dos domínios .pt e ao projecto JoséSócrates.com.

Salta nitidamente à vista como Paulo Querido é atento e está informado em assuntos ligados à Internet. É a primeira vez que vejo em Portugal um artigo tão completo e uma análise tão perspicaz e inteligente.

Concordo com 98% das análises feitas no artigo, à excepção de dois pequenos pontos:

1º Que não há nada a fazer. Concordo que, em Portugal é bastante difícil mudar hábitos muito enraizados e temos tendencialmente o costume de baixar os braços. Falar, falar, apontar o dedo, esconjurar os corruptos e, no fim, acabar por não fazer nada. Acabar na clássica interjeição: “pois é!”. Ao que se responde: “pois é, meu caro, e o Benfica?” No entanto também é sabido que, se devidamente acossados, podemos ultrapassar esta procrastinação. O que é preciso é chegar ao mainstream. Foi isso que me levou a pôr este projecto de pé. É uma das áreas de negócio que me é querida e onde me movo bastante e, caramba, sou Português! Com a graça de jornalistas atentos, interessados e conscientes como o Paulo Querido, o projecto há-de chegar a bom porto!

2º O segundo ponto onde se me permite discordar tem a ver com os domínios IDN. O Paulo Querido não acredita que tenham futuro. Eu, ao contrário, penso que no futuro serão apenas vistos como domínios “normais”. É só uma questão da tecnologia evoluir o suficiente para que as suas especificidades técnicas sejam transparentes ao utilizador comum. O que inclui, claro está a sua utilização em endereços de email. Os chineses já chamam aos domínios IDN em chinês apenas “domínios chineses”. Perder a designação IDN é só o primeiro passo. O mercado mais evoluído neste momento é o mercado Alemão, onde são tratados exactamente como domínios clássicos.

Bem-haja Paulo, por ter feito esta mensagem chegar mais longe.

Carta da semana no Expresso

Carta da semana no Expresso
Durante vários anos escrevi para a revista Visão sobre novas tecnologias.

Deve confessar que muito me aprazia ver as minhas idéias, convicções e opiniões publicadas semanalmente. Eu, mais do que ninguém acredita que faziam realmente sentido, e por isso, quanto mais pessoas as lessem, melhor. Melhor para elas, obviamente.
Quanto mais eu estivesse certo, mais as pessoas que, eventualmente tomassem uma decisão baseada ou influenciada pela minha opinião, podiam ficar mais felizes (ou mais ricas) com a escolha. E muitas vezes tive.

Muito me satisfez portanto, abrir o Expresso no Domingo e ver a minha carta escolhida e destacada como a carta da semana. De algum modo os editores do Expresso acharam que o meu desabafo fazia algum sentido.

Obrigado Expresso, por ter feito este projecto chegar mais longe.

O subdomínio .com.pt

Num post recent, Pedro Veiga escreve,

“Em particular o registo de domínios em .com.pt está liberalizado desde Fev/2001 e o registo de domínios em .com.pt é feito exclusivamente on-line desde esta data.”

“Liberalizado” vem de Liberalismo. O Liberalismo defendia, no terreno económico o desenvolvimento espontâneo através da livre empresa e da livre concorrência. O Estado não tinha de intervir para nada nas relações económicas que existiam entre as pessoas, classes ou nações. O lema era “deixar fazer”.

A meu ver, os domínios .com.pt não estão liberalizados, pois NÃO PODEM SER VENDIDOS!

Online.pt parte II

Perdi toda a esperança que tinha no post anterior. Parece que foi apenas um caso pontual.
Já está outra vez registado, desta vez usaram o truque das marcas (ou nomes comerciais) com os nomes parciais, “on + line”.

Note-se este post no webkaput que acaba com a interjeição: “Estranho não?” É o tipo de expressão que mais se vê nos posts sobre este assunto, palhaçada, barracada, truques…

Quando vão as coisas mudar FCCN, quando?!

Online.pt

Parece que finalmente alguém leu esta carta! O domínio online.pt vai ser removido. Segundo consta, foi atribuído com base no clássico truque “pedido de registo de marca que obviamente vai ser recusado, mas que serve para a FCCN”

O que me deixa completamente perplexo é o facto de a FCCN levar 9 anos para cruzar os dados e verificar que afinal o pedido de marca foi recusado.

Mas já é uma esperança. Pode ser o início de uma nova era.

Lamento as perdas para todos os que tinham subdomínios de online.pt, mas também o que estavam à espera? Obviamente que “Online.pt” ou era gerido pelo FCCN ou era um risco de todo o tamanho.

IDN.IDN

O ICANN abriu pela primeira vez desde a criação da Internet a possibilidade da existência de domínios 100% em caractéres não romanos. Vejam os seguintes exemplos:

Arabic Arabic ﻢﺛﺎﻟ.ﺈﺨﺘﺑﺍﺭ
Arabic Persian ﻢﺛﺎﻟ.ﺁﺰﻣﺍیﺵی
Chinese, simplified Chinese 例子.测试
Chinese, traditional Chinese 例子.測試
Cyrillic Russian пример.испытание
Devanagari Hindi उदाहरण.परीकाा
Greek Greek παράδειγμα.δοκιμή
Hangul Korean 실례.테스트
Hebrew Yiddish בײשפיל.טעסט
Kanji,Hirigana,Katakana Japanese 例え.テスト
Tamil Tamil உதாரணம.பரிடைை

É claro que para domínios em Português (ou Espanhol ou Francês) não é necessário, uma vez que, “com” significará comercial,“net” Internet, “org” organização ou “info” informação.

A grande questão agora é o DNAME. Será que IDN.com terá alias para IDN.IDN?!
Por enquanto nem a própria responsável pela IDN task force na ICANN ainda sabe.

A mudança que faltava

Segundo publicado no Público, vêm ai mudanças e parece que se adivinha finalmente o que tenho (temos) vindo a pedir há anos: A LIBERALIZAÇÃO!

Mas a minha euforia passa rapidamente a preocupação em dois aspectos cruciais:

  1. Que medidas irão ser tomadas em relação aos domínios registados sub-repticiamente?! Trata-se de domínios BASTANTE valiosos e que poderão, por esta via, ser administrativamente legalizados. Se for o caso, será um verdadeiro escândalo! Será que a mensagem que se quer fazer passar é que em Portugal se promovem os chico espertos?
  2. Como e quando será o pedido “Sunrise”? A falta de informação e o modo como foi tratado o caso “online.pt” deixam-se sérias apreensões neste ponto.

Senhores jornalistas, precisamos da vossa ajuda para levar este assunto a debate público. Há que definir as regras de modo claro e justo para todos e anunciá-las devida e antecipadamente. É uma excelente oportunidade para pôr as coisas nos eixos. De outro modo, temo que poderá vir aí ainda mais oportunismo. Oxalá esteja enganado.